O Ensino do Anti-Semitismo
Com Shalom, 245 (V), São Paulo, p. 37,
É importante que o leitor saiba que o ensino de
conteúdo mentiroso contra o Estado de Israel e os judeus não é exclusividade do
colégio e cursinho Objetivo, citado na edição Nº 244 desta Revista. Pior, o
texto que a Revista criticou inclui poucas e sutis distorções, e é pouco
contrário a Israel, se comparado com outros que circulam nas mais renomadas
instituições de ensino da Grande São Paulo (pode ser também em outras regiões,
mas desconheço).
A Associação dos Professores da PUC-SP tem
publicado, em conjunto com a Associação dos Funcionários e representantes de
alunos, textos que afirmam com todas as letras que:
a) “não há a menor diferença ética entre o que os
nazistas fizeram com os judeus e o que Israel faz com os palestinos”, negando
as diferenças em magnitude, crueldade, motivos e objetivos entre os fenômenos,
banalizando o Holocausto, negando que este tenha sido um crime de gravidade
extrema e rara na história da Humanidade e negando assim a razão de ser do
Estado de Israel - a defesa contra perseguições anti-semitas, e projetando uma
imagem de monstros sobre os judeus e vítimas inocentes sobre os palestinos;
b) o Estado de Israel é uma nação imperialista,
criada e mantida pelos Estados Unidos e aliados com a intenção de fazer valer
seus interesses no Oriente Médio (sem dúvida isso é parcialmente verdadeiro,
mas esses professores mais uma vez denegam que o Estado de Israel foi
constituído a partir do interesse legítimo de um povo judeu sofrido para obter
abrigo);
c) deveria haver um único Estado laico para ser
compartilhado entre judeus e palestinos (o que é uma forma bonita de dizer que
o povo judeu seria o único povo do mundo que não teria direito a seu Estado);
d) o terrorismo palestino é a resposta legítima de
uma nação oprimida pelo “terrorismo de Estado” israelense (e não que tenha
fundamento no desejo de grupos extremistas árabes de destruir o Estado de
Israel, querendo todo o território para si);
e) o conflito entre israelenses e palestinos é um
conflito de ricos poderosos contra pobres indefesos (como se os árabes não
possuíssem dinheiro e petróleo, preferindo manter os palestinos em situação de
miséria propositadamente para incitá-los contra Israel);
f) o povo judeu não existe enquanto tal e dizer que existe o povo judeu é um mero artifício para
justificar a busca por vantagens político-econômicas. (Prefiro não comentar).
Fornecerei cópias dos textos publicados por esses
professores a qualquer leitor que venha a me pedir.
Essa Associação de Professores tem organizado atos e
lotado diversas vezes o Teatro da PUC para divulgar essas idéias. Muitas das
pessoas que têm apoiado esse movimento são jovens ingênuos e bem
intencionados que acreditam estarem fazendo uma boa ação e defendendo os
oprimidos. É necessário que os esclareçamos.
Outro exemplo, é de umas das mais importantes
Instituições de Ensino Superior do ABC, cuja resposta correta à questão sobre o Oriente Médio do Concurso para Ingresso de Docentes era
que a Segunda Intifada foi causada pela recusa
israelense de criar um Estado Palestino.
Na verdade, bem sabemos que a Segunda Intifida insurgiu logo após Barak
ter oferecido a criação de tal Estado. O que os
palestinos não aceitaram foram as condições para a criação desse.
Israel já se manifestou várias vezes favoravelmente à criação de tal Estado em
sua história. Aliás, o Estado Palestino não foi criado em 1948 somente porque a
Liga Árabe (notadamente Egito e Jordânia) não permitiram.
É muito importante que todos nós fiscalizemos o
trabalho dos professores e garantamos um suporte a nossos jovens e aos jovens
não-judeus para que saibam distinguir as verdades das mentiras e os fatos das
interpretações.
Se mesmo muitos de nós criticamos pontos da atuação
recente do Governo de Israel, isso não equivale a dizer que possamos permitir
que se diga que os judeus não têm direito a Israel. O argumento de que o
anti-sionismo não é anti-semitismo é inaceitável, pois Israel é nossa fortaleza e salvaguarda contra o anti-semitismo.
Além disso, por que seríamos o único povo que não tem direito a seu Estado?
Muitos de nós têm preferido calar-se por receio de
futuras discriminações ou presente violência. Essa não me parece ser a melhor
estratégia. Os judeus devem defender seu povo enquanto ainda temos o Direito de
Expressão, enquanto ainda não é tarde demais.
Eric
Calderoni (ecalderoni@uol.com.br) é psicoterapeuta, orientador vocacional e selecionador de
pessoal